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Blog do Orion
 


Prefeitos são favoritos aonde houver reeleição

Orion Teixeira*

As eleições municipais só acontecem no próximo ano, ou seja, daqui a menos de 13 meses, mas as pesquisas de opinião pública já estão sendo feitas para todos os lados. É claro que não dá para saber quem serão os eleitos, mas o que se quer saber, agora, é pra onde a “biruta está apontando”, como observou um dos especialistas no assunto, o diretor do Vox Populi, Chico Meira. As disputas mais calorosas e mais interessantes vão acontecer nos municípios onde haverá eleição. Óbvio? Nem tanto, porque a obviedade está naqueles onde há possibilidade de reeleição.

“A população está preferindo até um prefeito mais ou menos do que um prefeito novo”, revelou Chico Meira, referindo-se ao fato de que um governante em exercício leva mais vantagens, em caso de reeleição, sobre proposta nova, baseado na crença comum de que governo novo demora a engrenar, desde a montagem da equipe e até o conhecimento pleno dos problemas da administração.

Resumo da ópera, os prefeitos têm mais chances de vitória (reeleição) do que seus adversários. Além do sentimento detectado por Meira, há aquelas situações conhecidas em disputas que ficam desiguais, como o uso da máquina, a exposição espontânea da mídia pela força e visibilidade do cargo, as inúmeras possibilidades de realizações de uma prefeitura, antes e, especialmente, durante uma campanha eleitoral. Enfim, só perderia mesmo o prefeito que não tiver competência para estar e manter-se no cargo.

Tem sido assim desde que o instituto da reeleição foi implantado, em 97, na Constituição brasileira pelo ex-presidente tucano Fernando Henrique (95-2002), o primeiro reeleito no País. Depois dele, o ex-presidente Lula (PT) também teve dois mandatos. Em Minas, o ex-governador Aécio Neves (PSDB) abriu a série histórica, hoje, reeditada pelo atual governador Antonio Anastasia (PSDB). A maioria dos prefeitos e governadores, assim como os dois presidentes da República, tem se beneficiado do mecanismo para ficar no poder por mais um mandato.

Antes mesmo de existir a reeleição, prefeitos do interior mineiro já tinham inventado um jeitinho de manterem-se no poder e fazer do cargo uma profissão: mudar o domicílio eleitoral e disputar a eleição no município vizinho. Há inúmeros casos de prefeitos que ficam até 16 anos no cargo, entre uma cidade e outra.

Coincidentemente ou não, a maior cidade do País deverá ter a disputa mais indefinida, confirmando a tese de que onde não há reeleição, a briga será mais acirrada por ser feita em condições iguais para os duelistas. De acordo com o diretor do Vox Populi, a natureza da eleição paulistana é sucessória já que o atual prefeito, Gilberto Kassab (PSD), não pode mais ser reeleito. Lá, PT e PSDB reeditarão os duelos autofágicos, com um dado novo, o PMDB vai entrar na briga de maneira competitiva, por meio da liderança emergente e carismática do deputado federal Gabriel Chalita. E não há um candidato natural nem favorito. “A disputa está aberta em São Paulo”, diagnosticou Meira.

Ao contrário do PT, o PSDB paulistano não tem um nome forte e está rachado entre duas lideranças, a do governador Geraldo Alckmin e do ex-prefeito, ex-governador e ex-candidato presidencial José Serra. Este não deve se lançar, porque seu nome estaria muito usado e desgastado. A tendência dele é de preservar o patrimônio que lhe restou para não extingui-lo de vez. Entre os petistas, brigam nomes como o dos senadores Marta Suplicy e Eduardo Suplicy e o ministro da Educação, Fernando Haddad, o preferido do ex-presidente Lula, que está empenhado em interromper a série de derrotas do partido em São Paulo. Sua palavra de ordem é a renovação, o que amplia o quadro de indefinição no partido e na disputa eleitoral no maior centro econômico do País.

Em Belo Horizonte, por exemplo, o prefeito Marcio Lacerda (PSB), além de ser favorecido pela recandidatura no cargo, ainda conta com o fato de não ter adversários. Não exatamente por inexistirem pretendentes ao comando da terceira maior capital do País. Nesse caso, o que está prevalecendo é a força do cargo, que, antes mesmo da disputa eleitoral, já influencia na definição desse quadro. Lacerda tem meios políticos e administrativos para manter PT, PSDB e outros do seu lado, preferencialmente na Prefeitura Municipal. Caminha para uma reeleição tranquila, numa disputa que só perderia para si mesmo.

(*) Jornalista Político

 

 



Escrito por Orion Teixeira às 16h51
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Publicada em 15/08/11

 

Sem romper, Dilma e Anastasia ousam para dar cara a seus governos

Tolerância zero com a corrupção e mulheres fortes marcam gestões de Dilma e Anastasia

 

Orion Teixeira*

 

Eles engolem sapos pelo caminho; não há dúvidas. Como fazem parte de uma mesma genética, é preciso admitir a existência dos conflitos, ainda que reservadamente, e entendê-los como naturais e até inevitáveis entre criadores e criaturas. Afinal, o governador Antonio Anastasia (PSDB) e a presidente Dilma Rousseff (PT) são técnicos que foram alçados à vida política por pura obra e graça de seus padrinhos políticos.

Se a matriz foi a mesma, as razões eram diversas. No caso do primeiro, foi uma decisão estratégica do então governador Aécio Neves (PSDB), que não queria passar o governo a quem não fosse de sua estrita confiança, já que tinha, e ainda tem, um projeto político maior. No segundo, à época, faltava ao presidente Lula (PT) uma opção. Seja como for, Dilma e Anastasia representam a continuidade de projetos que deram certo e dos quais tiveram papel fundamental nesse sucesso.

Mas, além disso e do fato de serem mineiros, ambos têm outra coisa em comum: eles ousam mudar para dar uma cara a seus governos, ainda que para isso tenham que provocar alguns atritos na hora de exibir personalidade e estilo próprios. Foi assim nos primeiros setes meses da administração de ambos. Cada um a seu jeito, eles colocaram as manguinhas de fora ao declarar, por exemplo, tolerância zero com a corrupção e outras formas de desvio na vida pública.

Mais identificado com o modo discreto das montanhas, Anastasia saiu na frente ao baixar, em maio passado, um decreto para ‘limpar’ seu governo dos chamados `fichas-sujas`, antecipando-se até mesmo a lei federal aprovada, mas com vigência a partir de 2012. “Ele radicalizou, contrariando até mesmo um princípio constitucional que ele, enquanto operador de direito, sempre respeitou, de não condenar sem o transitado e julgado”, observou um auxiliar do governador.

A medida provocou pressões da base aliada e, apesar disso e da reprovação do outrora poderoso secretário de Governo, Danilo de Castro (PSDB), foi aplicada. Desde a edição do decreto, cinco indicados perderam o emprego por estarem enquadrados como ‘fichas-sujas’: Wellington Magalhães (PMN), Edmar Moreira (PRB), Tadeu José de Mendonça, José Leandro Filho (DEM) e Marisa Xavier.

Não foi a primeira vez que contrariou esse aecista, um dos mais empedernidos do atual governo. Anastasia já tinha reduzido os poderes de Danilo e sua influência sobre a base aliada de 57 dos 77 deputados estaduais da Assembleia Legislativa, partindo sua pasta em duas (Lei Delegada 137). A Secretaria de Casa Civil e de Relações Institucionais ficou com Maria Coeli Simões, sua parceira dos tempos em que assessoram os constituintes mineiros em 1988; e a de Governo sobrou para Danilo, homem da confiança mais que absoluta do senador Aécio Neves.

Profundo conhecedor da máquina pública, o governador fez, logo no início da gestão, uma reforma administrativa, por meio de leis delegadas, para abrir espaços em um secretariado montado sob forte influência política de Aécio e de seu grupo. Tanto é que o governo mineiro conta hoje com a participação inédita de 12 partidos políticos que integram a base de lançamento de uma futura candidatura presidencial do senador tucano.

“Ele nunca irá expor, publicamente, quaisquer divergências”, acentua um aliado. Nem por isso, Anastasia ficou de mãos atadas, e, para superar o desconforto, escalou técnicos de sua confiança para os postos-chave. Como Dilma, montou um time de mulheres fortes na administração: além de Maria Coeli, Ana Lúcia Gazzola, na Educação; Renata Vilhena, no Planejamento e Gestão, e Eliane Parreiras, na Cultura.

Até mesmo a Comunicação oficial, outro foco de tensão, ficou mais leve, porque o governador é outro e porque a prioridade continua sendo a imagem do ex-governador. Por sua independência política, sustentada pelo fato de não ser candidato à reeleição ou a outro cargo, Anastasia só tem uma preocupação hoje, que é usar todo o aprendizado de gestor público para fazer um bom governo para si e para Aécio.

Ao contrário do governador, a presidente Dilma é candidata à reeleição, mas tem demonstrado que não fará disso uma moeda de troca. Aproveitando-se dos erros de aliados, antecipou mudanças e enfrentou a corrupção como nunca se viu antes na história deste país. Nem mesmo com Lula, que usava o carisma para encobrir os defeitos de seu governo.

O estilo Dilma de governar começou em casa. Depois de ser 100% Lula, o Palácio do Planalto, agora, está 90% Dilma, que, de uma canetada, trocou o poderoso ex-ministro Antonio Palocci, da Casa Civil, e o apagado ex-ministro das Relações Institucionais Luiz Sérgio, respectivamente, pelas ministras Gleisi Hoffman e Ideli Salvatti. Dessa herança lulista, restou, no Planalto, apenas o secretário-geral da Presidência, Gilberto Carvalho, voltado hoje para a relação com os movimentos sociais e sindicatos.

Não se trata de ruptura na qual a criatura rompe com o criador, mas um distanciamento estratégico para que possa fazer as coisas a seu jeito. A primeira cara que deu ao governo é o que chamam de ‘feministério’, dando um toque de gênero na administração, ainda que a ternura seja quase sempre esquecida. Tanto é que, na primeira derrapada de aliados, as três mulheres fortes arregaçaram as mangas e fizeram uma verdadeira faxina no Ministério dos Transportes. Não ficou pedra sob pedra, deixando bem claro que a gestora-presidente não fará concessões pela governabilidade ou para se reeleger.

Mais do que isso, ela está cuidando do para casa e preparando-se para fazer uma boa Copa do Mundo no mesmo ano em que tentará a reeleição. Munida de uma recente pesquisa, segundo a qual, a população prefere um governo mais ou menos do que um novo governo, a presidente decidiu fazer aliança diretamente com o eleitorado, doa a que aliado doer. “Dilma está fazendo a reforma que é dela, e antes do prazo previsto, muito por culpa de alguns aliados que estão errando feio. Sua reforma começou antes de assumir, quando tirou o PMDB da Saúde por um erro do próprio partido”, constatou o deputado federal Miguel Correia, referindo-se ao episódio no qual o governador do Rio, Sérgio Cabral, vazou o nome de seu indicado para o Ministério da Saúde. Depois de oito anos nas mãos do PMDB, a pasta migrou para o PT.

Outra mudança de estilo refere-se a Minas Gerais. A presidente deixou de lado aquela dobradinha informal, conhecida por ‘Lulécio’, que unia informalmente o presidente Lula e o governador Aécio Neves no campo eleitoral e administrativo, e ensaia mostrar outro jeito de apresentar soluções para Minas por meio de sua base aliada. Vai ser direta em tudo. O fenômeno ‘Dilmasia’ foi tolerado apenas durante a eleição. De acordo com aliados, obra para Minas só virá por meio da indicação da base. “Isso é um erro institucional”, aponta um membro do Governo mineiro, advertindo que ela não poderá ignorar o governador e as instituições.

Mesmo assim, burocrática, gestora e sem carisma, a presidente manifesta certa cordialidade e até faz elogios a inimigos históricos dos petistas, como o ex-presidente Fernando Henrique, e ao tucano Anastasia, sem se importar com o patrulhamento dos companheiros. Por mais que queira, e ela não quer, Dilma dificilmente repetiria o estilo Lula de governar e de fazer política.

Com o início do segundo semestre, ela começa a entrar numa espécie de contagem regressiva, quando todas as atenções começam a se voltar para o desempenho e resultados do novo governo. A partir daí e do ano que vem, o eleitorado irá formar o conceito sobre o que é o governo Dilma, definição sobre a qual se desenrolará a campanha eleitoral e o voto na sucessão municipal de 2012. Este será o seu primeiro teste político.

(*) Jornalista político

 

 



Escrito por Orion Teixeira às 16h47
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Dilma deixa Minas fora do mapa de investimentos

Orion Teixeira* 

Do ponto de vista de Minas, a presidente Dilma Rousseff (PT) está permitindo um esvaziamento e um descompromisso perante os mineiros, apesar de ser conterrânea. Tanto é que Minas está, em seu governo, fora do mapa de investimentos. Não se anunciou nada pra cá. Pode-se fazer política aqui e ali, mas governar deve ser pra todos, envolvendo todos os segmentos.

Até agora, Minas teve, de certo mesmo, o anunciado polo de amônia, em Uberaba, no Triângulo Mineiro; mas o petroquímico prometido já está migrando para o Nordeste e as alardeadas obras rodoviárias e a do metrô já caíram no descaso. Enfim, está deixando certa desesperança no ar.

O Estado teve até investimentos privados comprometidos, como foram os da Fiat e da Vale do Rio Doce, por intervenções do Governo federal. O mais grave é que tudo isso tem uma motivação política que está se sobrepondo à institucional. Afinal, Dilma é presidente de todos os brasileiros, incluindo os mineiros, dos quais ela é conterrânea, deixando também um comprometimento do pacto federativo.

Dilma mudou aquela dobradinha conhecida por Lulécio, que unia informalmente o presidente Lula e o governador Aécio Neves, e ensaia mostrar outro jeito de apresentar soluções para Minas por meio de sua base aliada. Vai ser direta em tudo, claro, tudo em nome dela. Ela viria aqui, em julho, anunciar as obras rodoviárias do anel rodoviário, da duplicação da BR- 81, até Monlevade, no Vale do Aço (a rodovia da morte), e da 040, mas adiou por conta da crise no Dnit e Ministério dos Transportes.

O certo é que a tática do Lulécio não vai se repetir com ela; Dilmasia foi tolerado apenas durante a eleição. Na via administrativa, não. Isso, por outro lado, pelo menos do ponto de vista de Minas, é um equívoco e uma contradição, porque, além das questões de filigrana política, rompe com um pacto federativo. É colocar a política acima das questões institucionais. Não se pode trazer uma obra para Minas desconhecendo o seu governador e as instituições mineiras, até porque sempre existem as tais contrapartidas.

O problema político é que há uma exigência - e ela está cedendo -, feita pela bancada aliada segundo a qual todas as obras federais têm que passar pelos deputados e senador da base governista. Se não for por eles, não vem para o Estado, antecipando, em quatro anos, a disputa de 2014.

(*) Jornalista político

 

 



Escrito por Orion Teixeira às 02h00
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Dilma antecipa reforma em seis meses

Orion Teixeira*

O Governo da petista Dilma Rousseff está, pouco a pouco, abrindo espaço para mostrar sua face e que seu estilo de administrar tem vida própria. Na verdade, a presidente está fazendo o para casa, preparando-se para uma boa Copa do Mundo e, no mesmo ano, buscar a reeleição. Antes mesmo do prazo previsto de um ano, Dilma já está fazendo a reforma ministerial para reduzir a herança lulista.

Não se trata de ruptura na qual a criatura rompe com o criador, mas um distanciamento estratégico para que possa fazer as coisas ao seu jeito. Depois de ser 70% Lula, hoje, o Palácio do Planalto, por exemplo, é 90% Dilma. Primeiro, foi a queda do ministro Antonio Palocci, da Casa Civil, levando consigo o ministro das Relações Institucionais, Luiz Sérgio, substituídos, respectivamente, pelas ministras Gleisi Hoffman e Ideli Salvati. A rigor, restou apenas o ministro Gilberto Carvalho (lulista), da Secretaria Geral da Presidência, que cuida somente da relação com os movimentos sociais e sindicatos.

A presidente também tem um estilo interessante para lidar com os aliados: vai aproveitando todos os erros deles para diminuir-lhes ou rever o espaço. Primeiro, aconteceu com o PMDB que comandou por oito anos o Ministério da Saúde. Bastou o governador do Rio, Sérgio Cabral (PMDB), se entusiasmar e dizer que tinha indicado tal ministro, para que ela tomasse a pasta do partido e a entregasse a alguém de sua confiança pessoal, que é o ministro Alexandre Padilha.

Agora, o PR começou a recolocar as manguinhas de fora, e ela voltou a fazer mudanças e deixar as coisas de seu jeito. E parece ter aprendido com a sangria do Palocci, já que, no caso do Ministério dos Transportes, agiu rápido, com firmeza e exemplarmente. Ela aceitou devolver o Ministério dos Transportes para o PR, por meio de uma escolha sua e não dos aliados, mas vai querer algo em troca, que deve ser o Dnit, a joia do Ministério, o maior orçamento, da pasta, deve ficar com o petista Hideraldo Caron, atual diretor desse órgão.

Na economia, ainda é uma incógnita. Já sabemos que seu governo não será favorecido como foi o de Lula pelo mesmo contexto internacional positivo, apesar da crise mundial de 2008. Nem essa, chamada por ele "marolinha", incomodou Lula, porque, nesse caso, o ex-presidente teve luz própria e decidiu apostar no que viu.

(*) Jornalista político

 



Escrito por Orion Teixeira às 01h58
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Sem rival, Lacerda caminha para reeleição e voo mais alto

Orion Teixeira*

O vice-prefeito Roberto Carvalho (PT), como um dos pouquíssimos pretendentes, não vai gostar de saber disso, mas, a cada dia que passa, o prefeito de Belo Horizonte, Marcio Lacerda (PSB), caminha para uma reeleição tranquila e sem sobressaltos, apesar da queda nas pesquisas. Menos por seus méritos e mais pela projeção de que não haverá candidato rival. É fato real, por exemplo, que, até agora, a 14 meses e 20 dias da eleição, ainda não apareceu nome capaz de lhe fazer oposição, e a maioria dos partidos não manifesta apetite para a disputa. Por várias razões.

Dois dos maiores, por exemplo, o PSDB e o PT dividem o mesmo condomínio de poder com o PSB de Lacerda e parecem, cada um a seu modo, satisfeitos com o naco que lhes cabe. Os tucanos estão satisfeitos porque, de outra maneira, teriam que amargar uma oposição estéril. Não têm candidato próprio, não investiram nisso e nem pretendem, aliás, o PSDB mineiro só tem um projeto político, que é o mesmo de seu líder, o senador Aécio Neves, ou seja, levar o ex-governador tucano rampa acima no Palácio do Planalto. Aécio não quer saber de gastar sola ou saliva com a Prefeitura de BH (PBH). Quer o PSB ao seu lado em 2012 e 2014 também.

Único partido com potencial e até nomes para derrotar Lacerda, o PT deverá abrir mão mais uma vez, porque não quer correr o risco de estar fora da PBH, como aliado, e ficar no prejuízo em 2014. O vice-prefeito Roberto Carvalho sonha ser o candidato, mas o PT (leia-se o ministro da Indústria e Comércio Exterior, Fernando Pimentel) pensa diferente. Pimentel quer ser candidato a governador, em 2014, com o apoio do prefeito. Para ele, só haveria uma maneira de enfrentar Lacerda, agora: se este rompesse com o PT. Como isso não vai acontecer, porque o prefeito precisa dos petistas para se reeleger, o ministro poderá estar cometendo um erro político ao não fazer o dever de casa, em 2012.

Afinal, na sucessão de 2014, o PT de Pimentel terá três vagas em disputa e todas com nomes predefinidos. Pimentel quer ser governador; o senador Clésio Andrade (PR) pretende continuar onde está; sobrariam uma vaga de vice-governador e um nome forte como o do ex-ministro Patrus Ananias. Não haveria espaço, ou pouco, para Lacerda. Do outro lado, o dos tucanos, só haveria um nome para as mesmas três vagas, o do atual governador Antonio Anastasia, que poderá disputar o Senado, já que não pode mais ser reeleito. Resumo da ópera: Lacerda, prefeito reeleito, poderia ser o candidato a governador com apoio de Aécio.

Teríamos, então, um quadro que teria, de um lado, Lacerda; do outro, seu atual aliado, Fernando Pimentel, com um dado altamente favorável ao primeiro: ter como apoiador o principal cabo eleitoral na sucessão estadual, ninguém menos do que o senador e presidenciável Aécio Neves. Os aliados de Pimentel não acreditam que Lacerda, pela amizade e por gratidão, não disputaria contra o petista. Mas a política, às vezes, escapa das questões pessoais.

Como se sabe, Lacerda é fruto político de uma aliança administrativa, em 2008, entre o ex-prefeito Fernando Pimentel e o ex-governador Aécio Neves. De lá para cá, o prefeito mergulhou no trabalho, mas não fez carreira de político. Permanece um técnico pouco conhecido que faz uma administração bem avaliada. Tanto é que a população aprova o trabalho de continuidade administrativa, mas não o identifica com Lacerda. Por falta de traquejo, o prefeito se afastou do eleitorado. Cada dia que passa, ele cai nas pesquisas, acumulando ainda enorme rejeição entre os jovens. Ainda assim, poderá ser reeleito prefeito e, depois, quem sabe, virar governador, permanecendo aí 12 ou 16 anos no poder.

Pra não dizer que não falamos de outros partidos, o PMDB do deputado federal Leonardo Quintão não parece disposto a nova aventura. Quintão saiu muito chamuscado da eleição passada, quando esteve perto de virar alcaide da capital mineira.

(*) Jornalista político

 



Escrito por Orion Teixeira às 21h23
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Lacerda só ganha com apoio do PT

Orion Teixeira*

O prefeito de BH, Marcio Lacerda (PSB), quer tudo, incluindo sua reeleição, menos que o PT tenha candidato próprio na sucessão do ano que vem. Seria o pior dos mundos para ele. Isso ficou muito claro na última reunião que teve com o presidente regional de seu partido, o ex-ministro Walfrido Mares Guia. Com o PT na disputa, Lacerda perderia o único discurso que tem, o da continuidade da gestão do PT, segundo o qual seria o protagonista das obras iniciadas pelo antecessor, o ex-prefeito Fernando Pimentel (PT), hoje, ministro da Indústria e Comércio.

A avaliação também se estende aos planos do senador tucano Aécio Neves. Este não tem pré-candidato para a Prefeitura de Belo Horizonte (PBH), em 2012, nem para o Governo estadual, em 2014, até porque ele só tem um nome para as eleições, o dele próprio, na sucessão presidencial. Vai apoiar o nome que melhor se encaixar em seu projeto político pessoal. O resto se ajeita, como é, agora, o desejo dele de manter a situação como está, ou seja, o PT e o PSDB, juntos, na PBH, por meio da reeleição de Lacerda. Mesmo que, para isso, os tucanos fiquem de fora da chapa.

O PT, ao contrário, tem nomes fortes e que assustam a Lacerda e Aécio, como o do ex-ministro Patrus Ananias e, quem sabe, até mesmo o deputado federal Miguel Correia. O vice-prefeito Roberto Carvalho não incomoda por conta de sua baixa densidade eleitoral.

Lacerda conta a seu favor com o bom desempenho nas pesquisas que seria mais da administração do que dele próprio, porque a boa avaliação vem dos programas e obras iniciadas pelo antecessor. Com um nome, minimamente, sustentável, o PT “roubaria” o discurso do prefeito atual.

Sem recursos, e quase que sem opção, os tucanos assistem, de camarote, o desenrolar do processo. Lacerda, igualmente. Sem apoio do PT, sua reeleição é de risco. Como fiel da balança, é o PT quem terá que decidir: se fica ou sai da aliança, optando por um voo solo. Ainda assim, o partido tende a fugir mais uma vez da raia.

Toda a indecisão não é fruto da insistência de Roberto Carvalho em ser candidato, ou da falta de apetite de Patrus Ananias. Está na conta de Fernando Pimentel, mas ele também sabe que não dá pra pensar em 2014, como candidato a governador, se não fizer o dever de casa agora, em 2012. Ao contrário de Aécio, ele não pode perder a eleição para prefeito nem ficar de fora da administração.

 

Patinho feio

O PSDB corre o risco de ficar de fora das eleições para prefeito de BH em 2012. Primeiro, porque não tem candidato; segundo, se manter o apoio à reeleição de Marcio Lacerda, e este se coligar com o PT, não entrará oficialmente na chapa. Tudo indica que os tucanos aceitarão, novamente, o vexame de ficar na informalidade. A exigência é do PT.

 

Na muda

Governador de Minas em exercício desde as 22 horas da última quarta, Alberto Pinto Coelho deve estar torcendo para que nada aconteça até esta segunda-feira, com a volta do titular, que foi para o exterior curtir o feriadão. Como bom mineiro, ele sabe que interinidade não é momento para aparecer, seja positiva ou negativamente. Se sair-se bem, provoca ciúmes e falação; se for mal, nem precisa de intriga. Na dúvida, é melhor que nada aconteça mesmo.

 

 

Oposição tenta paralisar Governo

Sem risco de descontinuidade, o Governo mineiro está impressionado com o nível de radicalização na política mineira conduzida pela liderança do PT na Assembleia Legislativa e parte do PMDB. Eles paralisaram as mais de 20 nomeações para diretorias de segundo e terceiro escalão, obrigando o Governo a improvisar, por meio da designação (ato provisório), para manter a máquina funcionando. Agora, tentam até chamar a atenção da Fifa para que o Estado não seja competitivo na abertura dos jogos da Copa do Mundo de 2014.

 

Dever de casa

Os pré-candidatos a prefeito estão ativos e em movimento para se cacifar e ampliar as chances no ano que vem. A hora é de buscar coligações, para ter maior tempo de televisão e rádio na campanha eleitoral, e garantir, claro, a presença de aliados nas direções dos partidos.


(*) Jornalista político

 



Escrito por Orion Teixeira às 23h04
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Aécio não pode varrer para debaixo do tapete

 

Orion Teixeira*

 

Para quem leva uma vida de celebridade, o senador da República, Aécio Neves (PSDB), até que deu muita sorte na ocorrência policial da qual foi protagonista. Como noticiado amplamente, Aécio teve a habilitação de motorista apreendida, foi multado em R$ 1.149,23, levou 14 pontos na carteira e recusou-se a fazer o teste de bafômetro, durante blitz da Operação da Lei Seca, no Rio, quando voltava para casa às 3 horas. Ainda saiu elogiando os policiais pelo "profissionalismo".

Poderia ter sido pior. Digamos que a situação se assemelha a um terremoto em alto-mar, mas já estaria sob controle. Pode ser. Ao se recusar a fazer o teste do bafômetro, o senador exibiu mau comportamento e deixou a impressão de ser réu confesso. Só não admite o teste quem teme ser flagrado por estar dirigindo com algumas na cabeça.

Além disso, seus documentos estavam vencidos, como admitiu nota de sua assessoria. Ambas as ocorrências podem ser superadas e até absorvidas pelo cidadão comum, mas lhe deixam uma grave advertência: não dá pra varrer o que aconteceu para debaixo do tapete.

Por qual razão um senador se nega a fazer um teste aprovado por lei e que se configura como procedimento necessário em um país onde acidentes de trânsito, por conta do álcool, matam mais do que o câncer? Como é que um pretendente ao mais alto posto da República anda com os documentos vencidos?

Repito: Aécio deu sorte, poderia ter sido pior. Ele não se machucou nem se envolveu em acidente de trânsito. Sua pré-candidatura ainda está de pé e não deve ser muita afetada, mas quem pretende ser um líder da maioria não pode misturar as coisas, muito menos bebida com volante.

Se a opção pela vida social, pelas festas e noites cariocas prevalecer é melhor desistir do projeto presidencial. Hoje, Aécio é mais do que o neto de Tancredo, é referência de contraponto político ao poder central e não pode mais agir assim.

Depois de deixar o Governo do Estado e ganhar tudo nas eleições, o senador por Minas Gerais está vivendo como sapo n’água. Se como governador mineiro, seus finais de semana eram cariocas, como senador, ele assumiu de vez a residência no Rio, onde o mundo é colorido e festivo entre as celebridades.

Aécio errou e terá que admiti-lo. Pior do que o que ocorreu, é achar que tem o corpo fechado e não aprender a lição.

(*) Orion Teixeira é jornalista político

 



Escrito por Orion Teixeira às 00h15
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Deu no site  CONGRESSO EM FOCO

Família Andrada está no Congresso há 190 anos

No Parlamento desde o início do século XIX, o clã do “Patriarca da Independência” já produziu 15 deputados e senadores e parece não ter fim. “Um dos meus filhos vem aí”, anuncia o deputado Bonifácio de Andrada, de 80 anos

 

 
 

Edson Sardinha e Renata Camargo

Dom Pedro I declarou a independência. Marechal Deodoro proclamou a República. O Estado Novo derrubou a República Velha. A ditadura militar varreu a República Nova. E a Nova República se equilibra para não envelhecer. Apenas uma família conseguiu acompanhar todas essas fases históricas atravessadas pelo país nos últimos dois séculos do alto do Legislativo brasileiro. Os Andrada desembarcaram no Congresso Nacional antes mesmo de ele existir, ainda nas Cortes Portuguesas, em 1821, e não deixaram mais o Parlamento. 

Nos últimos 190 anos, a família produziu 15 deputados e senadores, quatro presidentes da Câmara, oito ministros de Estado e dois ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), além de governadores, prefeitos e vereadores. Ao todo, rendeu mais de 20 políticos e ocupantes de altos cargos públicos. Nenhuma outra família superou esse clã na geração de políticos influentes na história do país. Uma tradição iniciada com o Patriarca da Independência, José Bonifácio de Andrada, e que já alcança a sexta geração consecutiva no Congresso.

Veja a relação completa dos Andrada que foram parlamentares no Congresso

Leia tudo sobre a série da bancada dos parentes no Congresso

No século passado, não houve uma única legislatura em que os herdeiros do Patriarca não estivessem presentes. Tem sido assim, ininterruptamente, desde 1894. A sucessão da dinastia chegou a ficar ameaçada nas últimas eleições, quando o deputado Bonifácio de Andrada (PSDB-MG), nome da família na Câmara desde 1979, tomou seu maior susto. O tucano ficou na segunda suplência e só voltou ao Congresso porque o governador Antonio Anastasia, seu colega de partido, chamou dois deputados para seu secretariado, garantindo o prosseguimento da série histórica da família.

Sucessão anunciada

Aos 80 anos, Bonifácio diz que não tentará o décimo mandato consecutivo em 2014. Ele garante, porém, que o ciclo dos Andrada está longe de terminar. “Um dos meus filhos vem aí. São três possíveis candidatos”, avisa o deputado, filho do ex-presidente da Câmara e ex-líder do governo Geisel na Câmara Zezinho Bonifácio, neto do ex-deputado e diplomata José Bonifácio de Andrada e Silva e integrante da sexta geração de políticos da família, iniciada pelos irmãos José Bonifácio, Antônio Carlos e Martim Andrada.

Três dos oito filhos do deputado Bonifácio também incursionaram pela política. Antônio Carlos de Andrada foi vereador, prefeito de Barbacena (MG) e deputado estadual. Atualmente, preside o Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais (TCE-MG). Martim Francisco também foi vereador e prefeito da cidade natal da família.

Criança em Barbacena

O mais jovem dos três, o deputado estadual Lafayette Andrada (PSDB), de 44 anos, está licenciado do cargo e comanda a Secretaria Estadual de Defesa Social.  É o nome mais cotado atualmente para suceder o pai na Câmara. “Quando era criança em Barbacena, meus irmãos, eu e nossos amigos brincávamos de eleição. Fazíamos votação com caixa de sapato e papel de rascunho. Inventávamos partidos. A gente ganhava e perdia”, conta o secretário.

O ambiente familiar fez com que o gosto pela política aflorasse de maneira natural, segundo ele. “Nós nascemos nesse meio. Na minha infância e juventude, meu pai e meu tio eram deputados, meu avô foi deputado. Meus irmãos mais velhos eram vereadores. Nós nascemos em um ambiente que respirava política. Minha vida foi apontando para esse caminho”, afirma.

Lafayette diz que a tradição da família com a política repete a trajetória comum a tantos grupos familiares que seguem, de geração para geração, num ramo do comércio. “É algo semelhante a um padeiro português que monta padaria. O filho cresce vendo o pai fazendo pão. Ajuda o pai no caixa e no forno. O filho acaba assumindo a padaria. Aí acontece a mesma coisa com o neto. Foi isso que aconteceu comigo”, compara.

Mudança de sonhos

Bonifácio de Andrada diz que a influência familiar pode se manifestar em duas formas, despertando a vocação ou a ojeriza pela política. “Se não gostar, não aguenta. A atividade política é muito exigente e pesada. A política tem de ter o sonho, para você para os outros”, diz o deputado, que acumula nove mandatos na Câmara, quatro na Assembleia mineira e um na Câmara municipal de Barbacena.

Professor aposentado da Universidade de Brasília (UnB) e reitor de uma universidade particular criada por sua família, Bonifácio afirma que os “encantos” propiciados pela política já não são mais os mesmos. “Os sonhos mudaram. Eram mais políticos. Hoje, predominam mais os sonhos relacionados às atividades econômicas, sociais e financeiras. Acho que não está perdendo o encanto. Os encantos de ontem é que não são mais os mesmos de hoje.”

O filho Lafayette admite que ter um representante da família no Congresso há mais de um século, de maneira ininterrupta, serve de estímulo para as novas gerações. “Acaba tendo um gosto especial. É sempre interessante ver que o trabalho que você está fazendo foi reconhecido”, afirma.
Uma marca que ele espera não testemunhar sua derrubada. “A nova geração que está vindo ainda está na adolescência. São muitos sobrinhos, nenhum despontou ainda. Não sabemos ainda quem vai assumir esse encargo. Mas certamente haverá algum. São mais de 25 sobrinhos. Não é possível que não vai salvar um”, brinca.

Desgaste e continuidade

Para o cientista político e sociólogo Moisés Augusto Gonçalves, da PUC de Minas, o fato de Bonifácio de Andrada ter entrado como suplente na Câmara indica que o peso político da família tem diminuído com o surgimento de novas forças em seu reduto eleitoral. “O Hélio Costa (ex-senador e ex-ministro das Comunicações), por exemplo, é de Barbacena. Você tem uma realidade que quebra o monopólio e força o deslocamento dessa força política para outros lugares”, diz o professor.

Isso não significa, no entanto, que o “reinado” dos Andrada no Congresso esteja com os dias contados. A estratégia para a manutenção do poder em família, segundo ele, é a mesma adotada por outros grupos familiares. “Há sempre novos nomes para substituir o desgaste dos antigos nomes. É um jogo. A pretensa renovação é a continuidade com outro rosto. É um calculo eleitoral e político”, considera.

 

 



Escrito por Orion Teixeira às 02h32
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Lacerda deve optar pelo PSDB

Prefeito ganha mais com o apoio tucano em 2012 e 2014

Orion Teixeira*

 

Se o prefeito de BH, Marcio Lacerda (PSB), terá que optar, como se prevê, entre o PT e o PSDB para tentar a reeleição, ele tende - e tudo o leva a isso - a ficar com os tucanos, aliás, como sinalizou quando ‘deixou’ que eles derrotassem os petistas na eleição da presidência da Câmara Municipal. Sua reforma administrativa (em curso) será mais um lance no qual o PT deverá ficar menor, mas não a ponto de romper com o prefeito e deixar a administração.

Os petistas já perderem, na pré-reforma, a Secretaria de Planejamento, cujo titular foi para o Ministério da Saúde, e a Belotur (incompatibilidade do titular, Júlio Pires, com o prefeito). Lacerda quer ainda trocar os petistas das Secretarias de Políticas Sociais (Jorge Nahas) e da Regional Centro-Sul (Fernando Cabral). Outra incompatibilidade flagrante é com o vice-prefeito, Roberto Carvalho (PT), que atua, 24 horas por dia, para inviabilizar a reedição da aliança com o PSB e lançar-se candidato.

Junte-se a tudo isso o fato de que, do outro lado, Lacerda só tem a ganhar e, além de ser o candidato à reeleição coligado aos tucanos, em 2012, poderá também ser candidato ao Governo de Minas ou ao Senado, em 2014, com apoio do governador Antonio Anastasia e do senador eleito e presidenciável Aécio Neves. Pelo PT, as portas estariam fechadas, já que o ex-prefeito de BH, seu aliado atual, e ministro da Indústria e Comércio, Fernando Pimentel, é pré-candidato ao Governo de Minas. Para o Senado, os petistas ainda teriam dois nomes fortes, o ex-ministro Patrus Ananias (PT) e o senador Clésio Andrade, do PR (que assume a vaga do falecido Eliseu Resende, do DEM).

A situação não está boa para os petistas em BH. Quando reclamaram ao prefeito da interferência do Palácio Tiradentes (nova sede do governo estadual) na eleição da Câmara, Lacerda disse-lhes que “o que Danilo (secretário de Governo do Estado) fez foi a meu pedido”. O melhor é o PT preparar logo seu nome para o ano que vem. Não se pode esquecer que 2014 terá que ser resolvido antes de 2012. Parece estranho, mas o fato é que os movimentos políticos daqui pra frente serão projetados e definidos com base em 2014, incluindo especialmente as eleições do ano que vem. Diga com quem estará em 2012 que saberemos com quem andarás nas eleições estaduais e presidenciais seguintes.

 

Clésio deve ficar

Apesar da boataria, o presidente regional do PR e, agora, senador da República, Clésio Andrade, não deverá deixar o partido para criar outro. É verdade que ele ficou enfraquecido internamente depois de ter optado pela candidatura derrotada ao Governo de Minas (de Hélio Costa, do PMDB), contrariando o desejo e rumos das bancadas do PR, mas optou por deixar baixar a poeira. Fazer novo partido não é uma tarefa fácil. Na dúvida, o melhor seria esperar eventual reforma política. Enquanto isso, em Brasília, ele vai integrar a forte base da presidente e cuidar da própria reeleição.

(*) Jornalista político

 

 



Escrito por Orion Teixeira às 23h57
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Dois PSDBs e um só governo

Orion Teixeira*

Dizem os entendidos que não há gesto inútil na política. Na semana passada, o PSDB exibiu duas maneiras de fazer política e de se relacionar com o adversário e o Governo federal. Enquanto o tucano paulista ‘morde’ o rival, o mineiro ‘sopra’. Numa tentativa de voltar à cena política, o candidato a presidente derrotado nas últimas eleições, o tucano paulista José Serra, protagonizou troca de farpas com o presidente nacional do PT, José Eduardo Dutra, num tímido ensaio de eventual terceiro turno. Serra acusou o PT, pelo Twitter, “destruir a Funasa e a Anvisa, com fisiologismo, corrupção e incompetência”. ''Deve ser por isso que a oposição ganhou a eleição'', retrucou Dutra.

Dois depois, o governador mineiro, Antonio Anastasia (PSDB), desembarcou em Brasília com objetivo distinto: reuniu-se com a presidente Dilma Rousseff (PT), durante audiência extra agenda, para agradecer-lhe o apoio aos municípios mineiros vítimas das chuvas e convidá-la para ser a oradora oficial da solenidade da Inconfidência Mineira, no próximo 21 de Abril, em Ouro Preto. Anastasia repete o gesto do antecessor e aliado, Aécio Neves (PSDB), que, em seu primeiro ano de governo, 2003, também convidou o então presidente Lula para ser orador.

Dois gestos e duas maneiras de fazer política. Não há causa e efeito imediatos, mas o PSDB mineiro e o paulista brigam pelo comando partidário. No próximo mês, o partido leva para a TV seu primeiro programa partidário e, por conta, dessa divisão vai recorrer ao coringa FH, o ex-presidente, para apontar os caminhos. Na disputa com Serra, Aécio ainda conta com o apoio do próprio governador paulista, Geraldo Alckmin, do paranaense Beto Richa, do goiano Marconi Perillo, do alagoano Teotônio Vilela e do paraense Simão Jatene.

 

Rombo na Saúde de BH

A montagem do novo Ministério da Saúde provocou um ‘rombo’ nos quadros da Saúde Pública de Belo Horizonte. O ex-secretário de Planejamento (da atual gestão) e ex-secretário de Saúde (2005-2008) Helvécio Magalhães levou para Brasília, onde será o titular da poderosa Secretaria de Atenção à Saúde (SAS) do ministério, outros quatro talentos do setor: Maria do Carmo, ex-secretária-adjunta de Saúde; Leda Lúcia Vasconcelos, ex-gerente da Central de Leitos; Alzira de Oliveiro Jorge, ex-gerente de Regulação, e Celeste Maria Rodrigues, ex-gerente de Vigilância à Saúde. A administração municipal não sentirá, no entanto, os efeitos de tal ‘rombo’, até porque não soube aproveitá-los nas suas áreas de competência e atuação.   

 

(*)Jornalista político

 

 

 

 



Escrito por Orion Teixeira às 23h06
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PSDB abre 2014 com a cabeça em 94: põe FH na TV

Orion Teixeira*

O PSDB abre o jogo político nacional com seu programa partidário de TV no próximo mês, mas já começa errando, ou melhor, permanecendo no erro ou, como queiram, em cima do muro. Seu primeiro programa nacional na era pós-Lula (Dilma) faz um retorno a 1994 em vez de priorizar 2014, quando dá largos espaços para ninguém menos do que o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. A pergunta que fica é se esta é alternativa de poder para 2014(??).

Falta aí, no mínimo, uma estratégia de marketing político primário, aliás, como é recorrente em um partido que é comandado por uma visão míope e centralizadora e, mais grave, a reboque de indefinições políticas internas que já lhe impuseram três derrotas consecutivas. Se há dúvidas, basta lembrar as lições do PT de Lula, que, a partir de 2003, só abria espaço para seu potencial candidato. Em Minas, o próprio ex-governador Aécio Neves ocupava todos os espaços e oportunidades de comunicação do PSDB. Mas, no plano nacional, é aquele desgastante dilema, José Serra ou outro tucano paulista vai ser candidato ou não? E aí a decisão fica para o início do segundo tempo.

Na dúvida, o que fazem? Põe FH no ar porque é uma liderança de honra dos tucanos, uma espécie de coringa para ocupar o vácuo, que, todos dizem, não existir na política. Em vez de aprender com as surras que vêm tomando, os tucanos erram no foco, de novo. A vez não seria do senador eleito Aécio Neves? Não é ele a liderança emergente do partido? Então, o que eles fazem: escondem o que tem de melhor. Mais grave, com o assentimento do próprio tucano mineiro. Ora, se o partido tem um nome forte e quer ficar forte para 2014, tem mais é que dar-lhe sustentação, sem medo de ser feliz, para usar outra lição do rival, e sem receio da crítica.

Os programas de televisão são – Aécio, Lula e Dilma já provaram isso – importantes ferramentas de marketing, mas, se forem usados incorretamente, os efeitos seguem a mesma linha. Está na hora de o tucanato mineiro acordar e, se preciso, forçar a porta. Caso contrário, tudo ficará como dantes: os petistas continuarão petistas, e os tucanos ficarão como são. O resultado já é conhecido. Estou aberto a apostas.

(*) Jornalista político

 



Escrito por Orion Teixeira às 21h41
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Lacerda terá que optar entre PT e PSDB

Orion Teixeira*

Engana-se quem pensa que o prefeito de Belo Horizonte, Marcio Lacerda (PSB), poderá empurrar com a barriga os principais parceiros – PSDB e PT – para mantê-los unidos em torno de sua reeleição, em 2012. Impossível. Ele terá que fazer a ‘escolha de Sofia’: PT e ou PSDB. Afinal, qual será seu aliado no ano que vem? Não dá para reeditar a aliança com tucanos e petistas. Primeiro, porque ela não existiu em 2008; foi informal, como se sabe, por conta do veto da direção nacional do PT. Segundo, porque 2012 é outro contexto, pós-2010, no qual petistas e tucanos voltaram a se enfrentar de maneira irreconciliável. Em terceiro lugar, 2014 começa em 2012 e culminará com o grande embate entre tucanos e petistas.

Lacerda sabe que não será poupado dessa dicotomia, razão pela qual vai adiando sua badalada reforma administrativa e, por isso, recebendo pressões de ambos os aliados. A opção terá que ser feita até meados deste ano. Caso contrário, PT e PSDB podem até pular fora de seu barco e assumir rota própria, com pré-candidato e alianças no primeiro porto de desembarque. Ficar esperando é que não ficarão.

É bem verdade que, além do próprio PSB de Marcio Lacerda, PT e PSDB não têm candidatos prontos para o desafio. Falam muito no nome do ex-ministro do Combate à Fome (Bolsa Família) e ex-prefeito de BH Patrus Ananias. Não há dúvida de sua trajetória bem-sucedida, mas ele foi prefeito há quase quinze anos e, como ministro, manteve-se muito discreto, além de ter tido uma participação, como vice, na malsucedida chapa de Hélio Costa ao Governo de Minas, em 2010. Pode ser, embora se trate de uma operação de risco para quem não manifesta muita disposição. Mesmo assim, estes partidos não aceitarão ser enrolados pelo prefeito.

Como 2014 começa no ano que vem, o pré-candidato presidencial do PSDB, senador eleito Aécio Neves, terá que acumular forças, especialmente em Belo Horizonte, sua maior base eleitoral e fonte política irradiadora para o resto do Estado. Igualmente, o ex-prefeito de BH e ministro da Indústria e Comércio, Fernando Pimentel, é pré-candidato a governador e, por isso, precisa recuperar os espaços perdidos e superar a derrota eleitoral do ano passado.

Lacerda que se cuide e faça logo sua opção, porque, sem PT e PSDB, sua candidatura ficará, irremediavelmente, desidratada.

 

Elbinha está de volta

Também se enganou quem achava que ela iria sumir do mapa com a “transfusão” de votos que fez para o marido, Luiz Henrique, o Licão, que toma posse como deputado estadual no próximo mês. Elbe Brandão, ex-secretária extraordinária para o Norte de Minas e os Vales do Mucuri e Jequitinhonha, mais conhecida como ‘Elbinha’, será nomeada conselheira da poderosa estatal Cemig. Ela só espera cumprir o resto do mandato, de apenas um mês (janeiro), na Assembleia Legislativa para assumir a nova e bem remunerada função. A partir daí, esta montesclarense terá tempo suficiente para dois outros projetos: cuidar da família e buscar a realização de um antigo sonho: ser prefeita em Janaúba (Norte de Minas).

2º escalão só em fevereiro

Por conta da definição (já antecipada por este blog) da Mesa Diretora da nova Assembleia Legislativa, no dia 1º de fevereiro, e outros espaços de poder na Casa, o governador Antonio Anastasia (PSDB) decidiu adiar para a 1ª quinzena de fevereiro a formação do segundo escalão de sua administração. A medida arrefeceu os ânimos entre os aliados e evitou arestas por conta da disputa. Também não há indefinições, está tudo negociado, mas, em política, não bastam somente as conversas. Etapas precisam ser cumpridas, porque um governo não pode errar. Já os aliados podem e devem esperar.

  (*) Jornalista Política

  



Escrito por Orion Teixeira às 23h46
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Lacerda faz sua opção política com a reforma

Paulo Moura, homem da confiança de Pimentel, volta à PBH

Orion Teixeira*

Enquanto vai acumulando pressões de seus dois principais aliados – o PT e o PSDB -, o prefeito de Belo Horizonte, Marcio Lacerda (PSB), já fez a sua opção política para a reforma administrativa que comandará na administração municipal mirando a própria reeleição. De bem com os tucanos, ele decidiu fortalecer o PT do ex-prefeito e ministro da Indústria e Comércio, Fernando Pimentel, indicando o braço direito dele, Paulo Moura (PT), para ocupar a Secretaria de Planejamento. Até o início deste ano, esta pasta tinha outro petista como titular, Helvécio Magalhães, que deixou o cargo para assumir a Secretaria de Atenção à Saúde (SAS) do Ministério da Saúde.

Com a medida, Lacerda deixa claro que pretende reeditar a aliança que o levou à prefeitura, em 2008, após a inusitada (e informal) união entre um tucano e um petista (Aécio Neves, governador à época, e Fernando Pimentel), apenas com uma diferença: desta vez, ele quer, como aliado, o PT do ministro da Indústria e Comércio. Essa ala petista convive bem com tucanos. A articulação liquida com as pretensões do vice-prefeito Roberto Carvalho (PT) de ser candidato a prefeito e tenta isolar a ala petista mais reativa. O maior trunfo desse grupo seria uma eventual candidatura do ex-ministro Patrus Ananias, desde que este tenha disposição para o recomeço.

A partir da reforma, Paulo Moura volta ao governo municipal depois de ter sido um dos homens mais fortes da prefeitura durante cerca de seis anos. No governo do ex-prefeito Fernando Pimentel, ele foi o todo-poderoso da articulação política e avalista da fidelidade da base aliada na Câmara. Seu nome também esteve cotado para esta função, mas o prefeito de hoje também tem lá seus homens de confiança, os chamados ‘coringas’ da administração municipal: Josué Valadão, secretário de Governo, que acumula, interinamente, a pasta de Planejamento; Marcelo Abi-Saber, de Assuntos Institucionais, e Pier Senesi, atual secretário da Regional Leste. Os três coringas deverão ser deslocados na reforma administrativa para frear as pressões aliadas. Senese, por exemplo, deverá ir para a recém-criada Secretaria de Desenvolvimento Econômico. O petista Tarcísio Caixeta será o líder do Governo na Câmara.

 A reforma prevê a criação de três secretarias: Desenvolvimento Econômico, de Obras e Infraestrutura e a de Serviços Urbanos. Ficam extintas as pastas de Políticas Urbanas e Habitação (vai para a Urbel) e cerca de 100 cargos comissionados serão cortados. Curiosamente, a reforma que tanto barulho provoca ainda não foi sancionada pelo prefeito.

(*) Jornalista político

 



Escrito por Orion Teixeira às 23h35
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Anastasia vai criar um Conselho Político

Orion Teixeira*

Ao contrário do que fez o antecessor, que criou um Conselho de Notáveis, o governador Antonio Anastasia (PSDB) vai criar um Conselho Político, para acompanhar e avaliar, periodicamente, o desempenho da gestão, depois de ter redesenhado administrativamente o Estado. O Conselho deverá será composto por ele próprio, na presidência, o vice Alberto Pinto Coelho, alguns secretários e os líderes aliados na Assembleia e na Câmara dos Deputados.

Além de reafirmar o compromisso com a transparência nas contas públicas, por meio da atuação da Controladoria-Geral do Estado e da criação de uma Subsecretaria de Transparência, que será criada através de uma lei delegada, Anastasia adiantou, durante a posse de seu secretariado, que estabelecerá metas a cada secretário para este ano. 

De acordo com o vice-governador Alberto Pinto Coelho (PP), o governo está bem definido e dividido em áreas e setores específicos para cuidar de cada assunto, o que não quer dizer, no entanto, que as secretarias não dialoguem entre si. “Não há monopólio de assuntos dentro do governo”, disse ele, que terá uma função institucional e política.

(*) Jornalista político



Escrito por Orion Teixeira às 22h36
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Tucano assumirá Assembleia, com apoio até do PT

Orion Teixeira*

Com o afunilamento dos entendimentos políticos, o deputado estadual Diniz Pinheiro (PSDB), campeão de votos nas duas últimas eleições, será escolhido como o futuro presidente da Assembleia Legislativa, a partir do dia 1º de fevereiro, durante a posse dos deputados eleitos e reeleitos. Seu nome é um consenso na Casa e já conta com o apoio dos sete maiores partidos que vão compor a Mesa Diretora, entre eles o PT.

A chapa já está definida. Para a 1ª vice-presidência, o PMDB deverá indicar o deputado José Henrique; para a 2ª vice-presidência, o PV apontou o nome de Inácio Franco; para a 3ª, o PT indicou Paulo Guedes. O segundo cargo mais importante da Casa, o de 1º secretário, deverá ser de Dilzon Melo, do PTB. O 2º secretário será do PDT, com Alencar Silveira Jr. e o 3º, Jayro Lessa, do DEM. A única dúvida está no PTB, ante o interesse de Arlen Santiago de ser o primeiro secretário. As conversas continuam.

(*) Jornalista político

 



Escrito por Orion Teixeira às 22h35
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